Luar do sertão
(1914)
 
 
 

 

 

 
 
Luar do sertão
(1914)
 
Toada
 
Composição: Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco
 
Interpretação: Luiz Gonzaga e Milton Nascimento
 
 
Lançada em 1914 pelo cantor Eduardo das Neves acompanhado de coro, em gravação da Odeon, é considerada um dos maiores clássicos da MPB, consagrada popularmente como um segundo Hino Nacional. Foi regravada dezenas de vezes. Além de ser o maior sucesso do poeta, compositor e cantor Catulo da Paixão Cearense, deu origem a uma célebre polêmica com João Pernambuco, João Teixeira Guimarães, sobre a autoria da música: a Justiça  considerou como sendo autor da melodia o compositor João Pernambuco.
Catulo da Paixão Cearense nasceu em 8/10/1863 em São Luiz, MA. Aos 10 anos mudou-se com a família para o interior do Ceará. Em 1880 aos 17 anos a família mudou-se para o Rio de Janeiro. Catulo era autodidata por excelência. Aprendeu praticamente sozinho violão, português, matemática e francês chegando a fazer traduções de poetas franceses. Já famoso nas rodas boêmias do Rio, foi convidado para uma festa na casa do Senador Gaspar da Silveira Martins e acabou sendo o centro das atenções. A mulher do senador impressionada com a inteligência de Catulo, contratou-o para professor dos filhos e assim Catulo foi morar na casa do senador. Muito extrovertido, simpático e galanteador Catulo esteve sempre envolvido com várias mulheres, tendo dedicado a algumas delas várias de suas obras. 
O violonista e compositor João Pernambuco nasceu em 2/11/1883 em Jatobá , PE.  Morando no Rio de Janeiro desde muito moço, frequentava a Festa da Penha e os bailes carnavalescos da cidade. Conheceu nessa época Catulo para quem cantou cantigas do nordeste, inclusive o côco "Engenho de Humaitá" que iria pouco depois se transformar na famosa canção "Luar do sertão". Ambos pertenceram a grupo famoso de artistas que eram convidados a se apresentar nas residências de famosos como Afonso Arinos e Rui Barbosa. João Pernambuco organizou o Grupo do Caxangá com ele proprio, Pixinguinha, Caninha, Raul Palmieri, Jacó Palmieri, Donga, Bonfiglio de Oliveira, Quincas Laranjeira, Manoel da Costa, Zé Fragoso, Lulu Cavaquinho, Nelson Alves, José Correa Mesquita, Vidraça e Borboleta. Esse grupo fez muito sucesso apresentando-se em festas e reuniões sociais tocando diversos tipos de música. Alguns anos depois com a dissolução do grupo, Pixinguinha aproveitou a experiência de quase todos e formou o famoso conjunto "Os oito batutas" com os remanescentes do antigo grupo. As músicas mais famosas de Catulo, além de Luar do Sertão, foram: "As pés da cruz" com Cremieux, "Cabocla di Caxangá" com João Pernambuco, "Flor amorosa" com Joaquim A. da Silva Calado, "O boêmio" com Anacleto de Medeiros, "Sertaneja" e muitas outras. Catulo faleceu em 10/5/1946 e no seu enterro acompanhado de imensa multidão, houve inúmeros discursos de políticos e poetas tendo atrasado a cerimônia, de forma que ao anoitecer uma lua maravilhosa apareceu e a multidão toda cantou "Luar do Sertão". Luiz Gonzaga, nome artístico de Luiz Gonzaga do nascimento, o Rei do Baião, foi o cantor brasileiro que mais divulgou as músicas nordestinas, especialmente o baião, muito em moda nos anos 40 e 50. Nascido em 13/12/1912 em Exu, PE, foi para o Rio no final dos anos 30 e iniciou sua carreira cantando em programas de calouro. Em 1945 conheceu o advogado cearense Humberto Teixeira e fizeram em minutos "No meu pé de serra". Compuseram juntos "Asa Branca" que viria a ser o maior sucesso da carreira de Gonzaga. Cantor, instrumentista e compositor, Luiz Gonzaga deixou mais de trezentas composições. Segundo o musicólogo Ricardo Cravo Albin, Gonzaga é da mesma dimensão de Pixinguinha, Tom Jobim, Ari Barroso e Chico Buarque na MPB. Foi pai de Gonzaguinha, magnífico cantor e compositor tragicamente falecido. Luiz Gonzaga faleceu em 2/8/1989.
Milton Nascimento nasceu em 26/10/1942 no Rio de Janeiro, mas mudou-se ainda garotinho para Três Pontas, MG; desde muito cedo demonstrou gosto e amor por música. Mesmo tendo nascido no Rio de Janeiro, mas criado em Minas, Milton é o maior responsável pela divulgação e consagração da moderna música popular feita em Minas Gerais. Cantor de sucesso, autor de 180 composições solo e com diversos parceiros as mais famosas são: "Travessia", "Ponta de areia" e "Canção da América" com Fernando Brant,"Três Pontas", "Nada será como antes", "Cais" e "Circo marimbondo" com Ronaldo Bastos, "O cio da terra" com Chico Buarque, "Coração de estudante" com Wagner Tiso e inúmeras outras. Milton foi premiado em 1996 pela entidade Rain Forest por sua atuante participação nos movimentos ecológicos; em 1998 recebeu o prêmio Grammy, o mais importante no mundo musical, na categoria Melhor CD de World Music pelo seu disco "Nascimento". Milton Nascimento é considerado no Brasil e no exterior um dos melhores compositores e cantores da moderna música popular brasileira.
 
Dárcio Fragoso
 

 
Luar do sertão
(1914)
 
Toada
 
Composição: Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco
 
Interpretação: Luiz Gonzaga e Milton Nascimento
 
 
Não há, oh gente 
oh não, Luar 
Como esse do sertão 
Não há, oh gente 
oh não, Luar 
Como esse do sertão 

Oh que saudade 
Do luar da minha terra 
Lá na serra branquejando 
folhas secas pelo chão 
 
Este luar cá da cidade 
Tão escuro 
Não tem aquela saudade 
Do luar lá do sertão 
 
Não há, oh gente 
oh não, Luar 
Como esse do sertão 
Não há, oh gente 
oh não, Luar 
Como esse do sertão 
 
Se a lua nasce 
Por detrás da verde mata 
Mais parece um sol de prata 
Prateando a solidão 
 
E a gente pega 
Na viola que ponteia 
E a canção 
É a lua cheia 
A nos nascer do coração 
 
Não há, oh gente 
oh não, Luar 
Como esse do sertão 
Não há, oh gente 
oh não, Luar 
Como esse do sertão 
 
Coisa mais bela 
Neste mundo não existe 
Do que ouvir-se um galo triste 
No sertão, se faz luar 
 
Parece até que a alma da lua 
É que descanta 
Escondida na garganta 
Desse galo a soluçar 
 
Não há, oh gente 
oh não, Luar 
Como esse do sertão 
Não há, oh gente 
oh não, Luar 
Como esse do sertão 
 
Ah, quem me dera 
Que eu morrese lá na serra 
Abraçado à minha terra 
E dormindo de uma vez 
 
Ser enterrado 
Numa grota pequenina 
Onde à tarde a sururina 
Chora a sua viuvez 
 
Não há, oh gente 
oh não, Luar 
Como esse do sertão 
Não há, oh gente 
oh não, Luar 
Como esse do sertão 
.
Música: Luar do Sertão
Autoria: Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco
Interpretação: Luiz Gonzaga e Milton Nascimento
 
Pesquisas e História por Dárcio Fragoso
Plano de fundo :
Catulo da Paixão Cearense,João Pernambuco,Luiz Gonzaga e Milton Nascimento
por Marilene
Imagens adquiridas em E-Groups de Trocas
Projeto ,Formatação e Edição Final : Marilene Laurelli Cypriano

 
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Para informação
 
Observação : a letra de Luar do Sertão é muito extensa e quase nunca foi gravada integralmente
 Letra completa e Original, extraída do livro "Minhas Serestas" de Loris R. Pereira, paginas 61/64.
 
 
 "Não há, ó gente, oh não,
Luar, como este do sertão. " 
 
 (Refrão)
 Oh que saudade do luar da minha terra,
 Lá na serra branquejando,
Folhas secas pelo chão,
 Esse luar cá da cidade, tão escuro,
 Não tem aquela saudade,
 Do luar lá do sertão. 
(refrão)
 Se a lua nasce por detrás, da verde mata,
Mais parece um sol de prata,
Prateando a solidão,
E a gente pega na viola que ponteia,
E a canção é a lua cheia,
A nos nascer no coração.
 (refrão)
 Quando vermelha, no sertão desponta a lua,
Dentro d'alma, onde flutua,
Também rubra, nasce a dor,
E a lua sobe...
E o sangue muda em claridade !
 E a nossa dor muda em saudade...
Branca, assim, da mesma cor !!!
 (refrão)
Ai !... Quem me dera, que eu morresse lá na serra,
Abraçado à minha terra e dormindo de uma vez !
 Ser enterrado numa grota pequenina,
 Onde à tarde a surunina, 
 Chora sua viuvez.
 (refrão)
Diz uma trova,
 Que o sertão todo conhece,
Que se à noite o céu floresce,
 Nos encanta e nos seduz,
 É porque rouba dos sertões as flores belas,
 Com que faz essas estrelas,
 Lá do seu jardim de luz !!!
 (refrão)
Mas como é lindo ver depois,
 Por entre o mato,
Deslizar, calmo o regato,
Transparente como um véu,
 No leito azul das suas águas, murmurando,
 Ir, por sua vez roubando,
 As estrelas lá do céu !!!
 (refrão)
 A gente fria desta terra sem poesia,
 Não se importa com esta lua,
 Nem faz caso do luar,
Enquanto a onça, lá na verde capoeira,
 Leva uma hora inteira,
 Vendo a lua a meditar.
 (refrão)
Coisa mais bela neste mundo não existe,
 Do que ouvir um galo triste,
No sertão, se faz luar,
Parece até que a alma da lua é que descanta,
 Escondida na garganta,
 Desse galo a soluçar !!!
 (refrão)
Se Deus me ouvisse, com amor e caridade,
 Me faria esta vontade,
 -O ideal do coração !
Era que a morte,
 A descantar, me surpreendesse, e eu morresse
 Numa noite de luar, no meu sertão !
 (refrão)
 E quando a lua surge em noites estreladas,
 Nessas noites enluaradas, em divina aparição
Deus faz cantar o coração da natureza,
 Para ver toda a beleza do luar do Maranhão !
 (refrão)
 Deus lá do céu, ouvindo um dia, essa harmonia,
 -A do meu sertão, do meu sertão primaveril,
 Disse aos arcanjos que era o hino da poesia,
E também a Ave Maria, da grandeza do Brasil !
(refrão)
Pois só nas noites do sertão de lua plena,
 Quando a lua é uma açucena,
 É uma flor primaveril,
 É que o poeta, descantado a noite inteira....
 
 
 
 
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